quinta-feira, 31 de março de 2016


  1. Filipenses 4.8-9 

O desejo do Senhor é que sejamos transformados. Mas a nossa alma precisa ser restaurada. Nosso Espírito se expressa através da nossa personalidade, dos nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas atitudes, nosso corpo. E se não pusermos nossa mente em linha com a Palavra de Deus, bem como nossas emoções, nossa vontade e nosso corpo, a vida do Espírito dentro de nós será sufocada. Mas o propósito de Deus é que o inimigo permaneça do lado de fora. Chegou a hora de erradicarmos essas obras malignas, que Paulo chama de “obras da carne”. Se não tem havido mudanças em sua vida espiritual, algo está errado. Quem nasce precisa crescer, desenvolver-se e caminhar, progressivamente, rumo à maturidade. Por isso, estamos considerando a situação da mente, a sede da alma. A mente, ou pensamento ou intelecto, como já vimos no estudo anterior é algo muito importante, extraordinário. Deus deu ao ser humano uma capacidade de pensar, raciocinar, refletir, criar, etc. No entanto, apesar de tantas invenções maravilhosas, que trouxeram grandes avanços, ela também, a mente, sem Deus, tornou-se uma arma mortífera! Essas são as marcas da mente do ser humano, criando o bem e criando o mal. A mente deve ser conquistada até que cada pensamento seu seja sujeito à obediência de Cristo Jesus. Ou seja, até que cada idéia, pensamento ou raciocínio esteja em perfeita harmonia com a Palavra de Deus. O comando da Palavra é claro: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma. De todo o teu entendimento e de todas as tuas forças” ( Mc 12.30). Uma mente carnal é uma mente baseada na carne, nos sentidos. “A inclinação da carne é a morte” ( Rm 8.6). Nossa mente poder ser inclinada para a carne ou para o Espírito. Inclinar-se para a carne significa ser dominado/a pelo reino dos sentidos, isto é, o que se ouve, o que se vê e o que se sente. Inclinar-se para o Espírito quer dizer pensar nas coisas de Deus, na sua Palavra. Ser carnal é agir de acordo com os próprios pensamentos, o próprio raciocínio, tomar decisões baseadas na vontade própria alheia a Deus, seguir seu próprio caminho. Essa postura é contradiz o que nos ensina o Senhor! 
O CARÁTER DO CRISTÃO – HUMILDADE
De John Stott
Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus  ( Mateus 5.3)
O Velho Testamento fornece os antecedentes necessários para a interpretação desta bem-aventurança. No princípio, ser “pobre” significava passar necessidades literalmente materiais. Mas, gradualmente, porque os necessitados não tinham outro refúgio a não ser Deus (Sf 3.12), a “pobreza” recebeu nuances espirituais e passou a ser identificada como uma humilde dependência de Deus.
Por isso o salmista intitulou-se “este aflito” que clamou a Deus em sua necessidade, “e o Senhor o ouviu, e o livrou de todas as suas tribulações” (Sl 134.6). O “aflito” (homem pobre) no Velho Testamento é aquele que está sofrendo e não tem capacidade de salvar-se por si mesmo e que, por isso, busca a salvação de Deus, reconhecendo que não tem direito à mesma. “O caráter do cristão – humildade”
Esta espécie de pobreza espiritual foi especialmente elogiada em Isaías. São “os aflitos e necessitados”, que “buscam águas, e não as há”, cuja “língua se seca de sede”, aos quais Deus promete abrir “rios nos altos desnudos, fontes no meio dos vales”e tornar “o deserto em açudes de águas, e a terra seca em mananciais” (Is 41.17,18).
“pobre” também foi descrito como “o contrito e abatido de espírito”, para quem Deus olha (embora seja “o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo”), e com quem se deleita em habitar (Is 57.15; 66.l,2). É para esse que o ungido do Senhor proclamaria as boas novas da salvação, uma profecia que Jesus conscientemente cumpriu na sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas-novas aos quebrantados” (Is 61.1; Lc 4.18; cf. Mt 11.5.). “O caráter do cristão – humildade”
Mais ainda, os ricos inclinavam-se a transigir com o paganismo que os rodeava; eram os pobres que permaneciam fiéis a Deus. Por isso, a riqueza e o mundanismo, bem como a pobreza e a piedade, andavam juntas. Assim, ser “humilde (pobre) de espírito” é reconhecer nossa pobreza espiritual ou, falando claramente, a nossa falência espiritual diante de Deus, pois somos pecadores, sob a santa ira de Deus, e nada merecemos além do juízo de Deus. Nada temos a oferecer, nada a reivindicar, nada com que comprar o favor dos céus.
Nada em minhas mãos eu tragoSimplesmente à tua cruz me apego
Nu, espero que me vistas
Desamparado, aguardo a tua graça
Mau, à tua fonte corro
Lava-me, Salvador, ou morro
Esta é a linguagem do pobre (humilde) de espírito. Nosso lugar é ao lado do publicano da parábola de Jesus, clamando com os olhos baixos: “Deus, tem misericórdia de mim, pecador!”. “O caráter do cristão – humildade”
Como Calvino escreveu: “Só aquele que, em si mesmo, foi reduzido a nada, e repousa na misericórdia de Deus, é pobre de espírito”. Esses, e tão somente esses, recebem o reino de Deus. Pois o reino de Deus que produz salvação é um dom tão absolutamente de graça quanto imerecido. Tem de ser aceito com a dependente humildade de uma criancinha.
Assim, bem no começo do Sermão do Monte, Jesus contradisse todos os juízos humanos e todas as expectativas nacionalistas do reino de Deus. O reino é concedido ao pobre, não ao rico; ao frágil, não ao poderoso; às criancinhas bastante humildes para aceitá-lo, não aos soldados que se vangloriam de poder obtê-lo através de sua própria bravura. “O caráter do cristão – humildade”
Nos tempos de nosso Senhor, quem entrou no reino não foram os fariseus, que se consideravam ricos, tão ricos em méritos que agradeciam a Deus por seus predicados: nem os zelotes, que sonhavam com o estabelecimento do reino com sangue e espada; mas foram os publicanos e as prostitutas, o refugo da sociedade humana, que sabiam que eram tão pobres que nada tinham para oferecer
nem para receber. Tudo o que podiam fazer era clamar pela misericórdia de Deus; ele ouviu o seu clamor. 
Talvez o melhor exemplo desta mesma verdade seja a igreja nominal de Laodicéia, à qual João recebeu ordem de enviar uma carta do Cristo glorificado. Ele citou as complacentes palavras dela, e acrescentou o seu próprio comentário: “Pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de cousa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3.17). “O caráter do cristão – humildade”
Esta igreja visível, apesar de toda a sua profissão cristã, não era de modo algum verdadeiramente cristã. Auto-satisfeita e superficial, era composta (de acordo com Jesus) de cegos e mendigos nus. Mas a tragédia era que não o admitiam. Eram ricos, não pobres, de espírito.
Ainda hoje, a condição indispensável para se receber o reino de Deus é o reconhecimento de nossa pobreza espiritual. Deus continua despedindo vazios os ricos (Lc 1.53).
Como disse C. H. Spurgeon: “Para subirmos no reino é preciso rebaixarmo-nos em nós mesmos”.

quinta-feira, 30 de abril de 2015


OS MOTIVOS PARA O CASAMENTO

Mateus 19.3-6

Nesse texto, em vez de voltar a Deuteronômio, Jesus voltou a Gênesis. Voltou ao que Deus fez quando institui o primeiro casamento ensina, por afirmação, o que Ele imaginava para um homem e uma mulher. Ao construir uma casamento segundo o padrão ideal de Deus, não é preciso preocupar-se com o divórcio.

A única coisa que não é considerada “boa” na criação foi o fato de um homem estar sozinho ( Gn 2.18). A mulher foi criada para suprir essa necessidade, preencher uma lacuna na criação!. Adão não poderia ter comunhão com os animais, é evidente! Precisa de uma companhia que fosse sua igual e com a qual pudesse experimentar a plenitude.

O casamento permite a perpetuação da raça humana e do sonho de Deus para ela. “Sede fecundos, multiplicai-vos” ( Gn 1.28) foi o mandamento de Deus ao primeiro casal. Desde o começo, Deus ordenou que sexo fosse praticado dentro da reelação comprometida do casamento. Fora do casamento, o sexo torna-se uma força destrutiva, mas dentro do compromisso amoroso do matrimônio, pode ser criativo, abençoador, curador e construtivo.

O casamento, segundo as Escrituras, é uma das formas de evitar pecados sexuais ( 1 Co 7.1-6). É evidente que um homem não deve se casar apenas para legalizar seus desejos sexuais! Aquele que se entrega aos desejos da carne antes do casamento, certamente, continuará a fazer o mesmo depois. Esse tipo de pessoa não deve ter a ilusão de que o casamento resolverá todos os seus problemas pessoais com lascívia. Porém, o casamento é a forma que Deus criou para homem e a mulher desfrutarem, em conjunto, os prazeres físicos do sexo.

Paulo usa o casamento como ilustração da relação intima entre Cristo e a Igreja ( Ef 5.22, 23). Assim como Eva saiu da costela de Adão ( Gn 2.21), também a Igreja nasceu do sofrimento e morte de Cristo na Cruz. Cristo ama a sua Igreja, Ele a purifica, cuida e a nutre com sua Palavra. A relação de Cristo com Sua Igreja é o exemplo a ser seguido por todos os casais, em especial, pelos maridos!

Outro texto que merece nossa analise, na mesma direção, é Gênesis 2.24, quando Senhor instruí sobre o união de homens e mulheres. Nele existem duas principais palavras hebraicas para o termo “um” yachid, que significa “singular”, “absoluto”, ou “indivisível”, e a palavra “echad” que transmite o sentido de “unido”, “composto”, ou “ligados”. O sentido de “echad” é encontrado na orientação do Senhor a Israel em Dt 6.4-5.

Este uso de “um” revela-nos a unidade de Deus na adversidade. Gênesis 2.24, promove um entendimento similar dos seres humanos. O Senhor unido é o padrão da unidade de Eva e Adão. O homem não deve esmagar a mulher, fazendo dela uma escrava, para que assim os dois possam se tornar um.

A mulher não precisa desaparecer como uma mulher, para que os dois possam se tornar um. Não, eles mantêm suas personalidades singulares, sua sexualidade e suas qualidades de alma. Eles são mais, juntos, do que a soma das suas partes. Eles e tornam echad, pois, essa é a proposta de Deus!

FONTES DE REFERÊNCIAS
MILLER, Darrow L. Mulher – A mão que Balança o Berço e Rege o Mundo; Curitiba, Publicações Transforma, 2015;

WARREN W. Wiersbe Comentário Bíblico Expositivo – Novo Testamento 1, Santo André, SP, Geográfica Editora, 2006.

pastorlugon@hotmail.com



PATERNIDADE E MATERNIDADE RESPONSÁVEIS

 

Neste mundo  nada nos torna necessários, a não ser o amor”. GOETHE

 

            Questões como: que importância tem um filho, que significa uma nova vida para a humanidade, quantos filhos é possível criar com dignidade e a qualidade ou qual o espaço necessário para educá-los, são extremamente fundamentais para quem deseja gerar filhos. Gerar filhos é uma decisão seríssima que envolve as áreas mais profundas do ser humano. Necessita, acima de tudo, estar fundamentada no amor e no respeito. O casal necessita gerar os filhos com responsabilidade, nos diversos sentidos da vida, educá-los cristã e humanamente, avaliar suas condições econômicas para sustentá-los.

            Portanto, paternidade responsável significa gerar filhos e filhas que se tem condições de gerar e que se deseja gerar, levando-se em consideração os deveres do casal com Deus, consigo mesmo, com a família e para com a sociedade, proporcionando uma perspectiva igualitária, solidária, cooperativa, onde pai, mãe e filhos, compartilhem direitos, privilégios e responsabilidades.

            O projeto dos filhos contém não somente a aceitação de sua chegada, mas compromissos e empenhos a fim de dar-lhes o necessário para a sobrevivência e a maneira mais adequada para educá-los com carinho, compromisso, liberdade e responsabilidade, pois os filhos, precisam ser vistos como expressão de amor, como sinal do amor conjugal do casal. Assim,

“Faz parte da vocação do casal a paternidade e a maternidade. Ninguém é pai ou mãe apenas biologicamente. Homem e mulher se preparam para a chegada do filhos ( e das filhas ). Experimentam visivelmente uma transformação com sua chegada. Percebem que sua comunidade de amor e de vida se dilata. Geram não somente o corpo da uma criança, mas um ser de liberdade, inteligência, afeto. Este filho é o desdobramento do mistério da criança: é criado à imagem e semelhança de Deus e membro resgatado pelo sangue e pela ressurreição de Jesus”.[1]

            Segundo Pedro Cometti ( 1990 ), os pais são chamados a gerar filhos duas vezes: pela concepção e pela educação. Pressupondo desta forma, que a educação dos filhos é a máxima responsabilidade dos pais, dela não podem se desfazer delegando a educação à igreja, ao estado, à escola. Por direito e dever natural, a educação dos filhos cabe, em primeiro lugar, aos pais. Mas, quais são as possibilidades e dificuldades para a educação dos filhos?[2]

            Não se pode, sob nenhuma hipótese, deixar de se reconhecer que a educação dos filhos é bastante difícil devido às condições sociais e culturais da modernidade. Dentro deste quadro, podemos enumerar algumas dificuldades: em primeiro lugar, os filhos saem mais cedo do convívio da família, levando pais e filhos a viverem em mundos diversos, rompendo o elo educativo entre eles, ainda que se encontrem, todos os dias, sob o mesmo teto. Segundo, hoje a sociedade está organizada em função da produção e do consumo, que avalia a pessoa em função daquilo que sabe fazer e da sua capacidade de se inserir no sistema de produção, em detrimento do que ela é, dos seus valores interiores, sua bondade e inteligência. Infelizmente, a escola está se unindo, alinhando-se a esta cultura, eliminando as matérias que não servirão para inserir as pessoas neste mundo de produção.

            Por último, a sociedade moderna é o sentido provisório das coisas. Nada mais existe de estável, de certo. Tudo é descartável. O ser humano não vive mais no nível profundo do seu ser, mas no nível superficial do seu agir.

            No entanto, sob pena de traírem os próprios filhos, é essencial que os pais eduquem seus filhos em qualquer contexto social, num processo educativo global, envolvendo todos os setores da personalidade.

            A partir deste prisma, é importante que os pais eduquem seus filhos com o seu ser, ou seja, possam exercer sua educação através do contato, não somente o que fazer ou dizer, apesar de importantíssimo, mas, com exemplos daquilo que são.

            É indispensável que os pais dialoguem com os filhos, pois o diálogo constituí-se no grande segredo educativo, sendo a resposta a uma necessidade fundamental do homem. Porém, o diálogo não pode ser improvisado, é de suma importância que os filhos cresçam num clima permanente de diálogo. A transmissão de valores deve estar presente na paternidade e na maternidade responsáveis. Por isso, só será possível, se o casal os possuir e os mostrar na sua vida cotidiana, importando muito mais a vida do que os sermões.

            Não menos importante é o comportamento do casal no sentido de ter uma atitude coerente em relação ao discurso (coerência e não perfeição ) para que os filhos se sintam compreendidos e amados. Não é bom e saudável satisfazer os filhos, necessário é dar-lhes um amor verdadeiro, estimulando-os amar a Deus e aos outros, educá-los a partir das virtudes humanas, desenvolvendo uma formação pautada na reflexão, na força de vontade, na liberdade, na afetividade, no diálogo e na gratidão.

            No ponto de vista religioso, é necessário encaminhá-los não somente à prática da religião, mas a terem um relacionamento pessoal com Deus, de filhos para com o Pai.

“A verdade é que pais e mães não se improvisam. Conscientes das responsabilidades que lhes trás a chegada do filho, é preciso que se preparem para quem é esta, na verdade, a mais antiga e mais complexa profissão do mundo, a de pai e mãe, a fim de não comprometer de maneira irrecuperável o sucesso da missão.[3]

            Sendo assim, é preciso que o casal conheça ou estabeleça um planejamento, baseado em direitos e deveres, para um melhor desenvolvimento da estrutura familiar após a chegada dos filhos:

Direitos:

- Amar;

- Realizar-se como pessoas;

- Realizar-se profissionalmente;

- Estar em constante desenvolvimento.

Deveres:

- Cuidar dos filhos;

- Amá-los;

- Favorecer seu desenvolvimento físico, intelectual, moral e religioso.[4]

            É evidente, que poder-se - ia acrescentar outros direitos e deveres, no entanto, os já aqui colocados são de extrema relevância, pois, possibilitam, mesmo diante das adversidades, necessidades e dificuldades de toda a sorte, perspectivas de uma vida saudável, feliz, onde todos possam desenvolver seus ideais e projetos de vida e colaborar para uma equilibrada harmonia familiar.

 

pastorlugon@hotmail.com


[1] CNBB. Casamento & Ternura & Desafio.  Vozes, Petrópolis, 1995, pág. 100.
[2] COMETTI, Pedro. Família Hoje: Pensamentos de otimismo. São Paulo, Paulinas, 1990, pág. 45
[3] Gonçalves, Tida Lima. A Família Desafiada. São Paulo Paulos, 1994, pág. 156.
[4] SANTOS, Beni dos. Matrimônio e Família. São Paulo, Paulos, pág. 46
 

segunda-feira, 27 de abril de 2015



FAMÍLIA
Dentre os desejos existentes no coração humano, um dos mais fortes é o de viver em pleno estado de amor. Amar e ser amado parece ser a maior ambição do ser humano e, por isso mesmo, a maior fonte de suas frustrações. Infelizmente, muitas pessoas vivem em um estado permanente de miséria afetiva, na solidão, com casamentos e com relações superficiais, insensíveis, sem nenhum envolvimento profundo.
            Por outro lado, as pessoas não podem realizar-se pertencendo apenas à comunidade de interesse comerciais, políticas. Elas necessitam de uma comunidade onde possam revelar-se como são, valorizar-se com seus limites estabelecendo conhecimentos próximos. A família é a primeira e permanente escola para a vida em comunidade. Nela a pessoa nasce, cresce, amadurece, faz seu aprendizado de interação, de cooperação e partilha, dando continuidade ao seu aprendizado, formando
sua própria família. É uma comunidade formadora, recebendo de Deus a missão para constituir-se célula vital e primária da sociedade.
                                      “A família é comunidade de amor. É escola de vida com outros homens e precisa exercer influência na sociedade inteira. Realmente, é na família que o homem começa a compreender que é um ser social e elabora estratégias para um viver cristão e humano com outras pessoas”.[1]
            Portanto, escola por excelência, a família é a escola da vida e da prática da aceitação do outro, espaço onde o ser humano se encontra como indivíduo. É uma comunidade de vida e amor. Porém, necessita exercer uma influência marcante na sociedade já que nos tempos de hoje, tem sido questionada por profundas transformações da sociedade e na cultura, onde a perda do sentido da vida humana é constante, as pessoas valem não por aquilo que são, mas por aquilo que possuem. O importante é ter, fazer, produzir e consumir, infelizmente, um mal social moderno.
            A família passa hoje por grandes alterações em sua estrutura. No plano material, nota-se que ela perdeu sua estabilidade que estava baseada na casa, passando de geração a geração. Hoje, a família explodiu dispersando seus membros. No plano econômico, a família não assume mais o caráter de uma unidade produtiva, onde gerar muitos filhos era de suma importância na geração de riqueza, transformando-se em uma unidade de consumo, reduzindo o número de filhos. No plano psicológico, o casamento e a família, passaram a ser entendidos muitas vezes como sinônimos de escravidão, pois, não possibilitam a mulher uma chance de liberdade. No plano social, a família está mais dependente do Estado. No plano religioso, a instituição familiar está perdendo seu aspecto religioso e sagrado.
     “O estudo da família não pode ocorrer sem uma compreensão dos movimentos históricos, culturais, econômicos etc, que são inerentes aos processos humanos. A abordagem inter - disciplinar, a sociologia, a psicologia, a política, a economia, a religião, etc, podem enriquecer a compreensão de como se dá a estrutura familiar, suas diferentes formas de acontecer e as influências do contexto que está inserida”.[2]
            Além disso, nos tempos modernos, é crescente o número de famílias que não podem sobreviver com dignidade e ficam impedidas de cumprir seu papel social. Vive-se hoje num contexto onde cresce a visão da interdependência das pessoas para a realização do bem comum. Mesmo assim, diminui a proximidade entre grandes parcelas da população, decrescendo desta forma, a comunhão e a capacidade de relacionamento comunitário, aumentando o individualismo e a insensibilidade. Também, é possível notar um grande vazio e insatisfações nas realizações das pessoas independentes e auto-suficientes, que se encontram só, mesmo quando rodeadas de amigos, instaurando a cultura do descompromisso, do “descartável”.
            A cultura dominante nos meios de comunicação serve a outros interesses, promovendo o reducionismo, o materialismo e o secularismo, controlando os valores éticos/cristãos e a família. Assim, os relacionamentos tendem a ser superficiais, passageiros e de interesses próprios, tornando as pessoas objetos e não sujeitos de sua existência.
            Apesar de um crescente desenvolvimento técnico científico, que proporciona recursos para uma vida de progresso, é frustrante a realidade em que vive grande parcela da população, sem condições de sobrevivência e de dignidade, não podendo realizar seus direitos fundamentais. Numa observação mais atenta, percebe-se que as pessoas “socialmente privilegiadas” são escravas da luta pelo poder do possuir, do consumir, vivem sem experimentar a realização pessoal e interior, no vazio, com ansiedades e tensões.
            Outras transformações de grande relevância estão presentes nos dias de hoje: de um modo geral, a sociedade, e não mais a família, fornece ao indivíduo o trabalho profissional e sua identidade social. Até a educação foi assumida, em boa porcentagem, pela sociedade, os filhos escapam mais cedo da tutela dos pais. A família moderna tornou-se nuclear ou conjugal, sendo constituída pelo casal e pelos filhos menores, a hierarquia das idades e dos sexos estão se alterando com constância, restringindo-se desta maneira, a autoridade paterna. Hoje, a livre escolha do parceiro é um traço marcante da transformação da família. Nas diversas camadas sociais, a família tem o impacto direto da pornografia, alcoolismo, drogas, prostituição, da infidelidade conjugal, apresentando-se como vítima de uma estrutura injusta, não possuindo mais um caráter uniforme.
“A situação das famílias é também caracterizada por problemas sociais de natureza diversas, tais como atentados freqüentes aos direitos humanos, exploração e abuso, barreiras econômicas, sociais e culturais ao desenvolvimento integral de seus membros”.[3]
            A partir dos pressupostos apresentados até aqui, concluí-se que a instituição familiar tem passado por momentos de instabilidade, conflitos e crises. Vários aspectos têm contribuído para este quadro. Entre eles, pode-se destacar os seguintes: o relacionamento entre seus integrantes é vivenciado de forma e mentalidade utilitarista, o consumismo introduziu o primado do trabalho e do lucro em detrimento do diálogo, a evolução da família patriarcal para a família celular trouxe solidão e insegurança, a mídia tem bombardeado o núcleo familiar, já fragilizado, com mensagens banais, consumistas e desagregadoras, a cultura urbana leva ao desinteresse recíproco dos indivíduos e da família.
            Torna-se necessário, portanto, que se crie mecanismos de defesa, apoiados não só na cultura , mas também nos meios econômicos e legislativos, afim de salvaguardar a família das ameaças que ela vem sofrendo contra a deformação de sua missão pelos meios de comunicação social, pelo consumismo desenfreado e por legislações incoerentes e injustas. Levar as famílias a se inserirem no campo político, promovendo os seus verdadeiros valores. Tornando-a deste modo, uma comunidade de diálogo e de humanidade, onde haja respeito, confiança, sinceridade no estar junto e na co-responsabilidade, propiciando plena liberdade para a manifestação do amor, seja ele conjugal, paterno, materno, filial ou fraterno. Uma política que favoreça e promova as famílias das classes excluídas e menos favorecidas, particularmente, nas áreas de habitação, emprego, previdência, saúde e educação, e desenvolver canais que possam estimular a participação das famílias no campo político, visando a promoção e a defesa de seus direitos e valores.


[1] CNBB. Casamento e Família no Mundo de Hoje. Petrópolis, Vozes, 1993, pág. 46. O termo “homem” no texto, no meu entender, refere-se ao ser humano total.
[2] ROSA Ronaldo Sathler & CASTRO Dagmar Silva Pinto de. Compreendendo o que é Família. São Paulo, Editeo, 1995, pág. 9
[3] UNICEF. Família Brasileira: a base de tudo.  São Paulo, Cortez, 1994, pág. 12.


O amor prova espiritualidade e conduz à missão

INTRODUÇÃO
Nesses dias tenho pensado sobre os essenciais do Cristianismo. Estou convicto que os periféricos da vida e ministério podem facilmente nos desviar da prática do Cristianismo bíblico e simples, fazendo com que nossa atenção, energias, dons e relacionamentos se desgastem nas notas de rodapé de uma religiosidade quase vazia. Há diversos essenciais na vida Cristã. Um deles é o amor.
Preocupo-me quando apregoamos uma verdadeira espiritualidade, mas não amamos, quando a Igreja não consegue chorar com os que choram, ou quando nossos relacionamentos vão se tornando cada vez menos sinceros e mais utilitários. Preocupo-me quando o mundo age com mais graça e misericórdia com o caído do que o povo de Deus o faz. Preocupo-me quando a Igreja passa a definir sua experiência de fé a partir de seus ajuntamentos solenes e não dos seus relacionamentos diários. Preocupo-me quando não amamos.
Ao escrever a primeira carta aos Coríntios, Paulo reserva os capítulos 12 e 14 para expor sobre os dons espirituais, pois era um assunto de relevância e necessidade. Entre os dois capítulos sobre dons espirituais, Paulo enxerta um dos textos mais definidores da nossa fé: o capítulo 13, o qual nos apresenta a centralidade do amor na vivência Cristã. Mostra-nos, assim, a possibilidade de sermos uma Igreja com aparência, forma e discurso espiritual, mas de fato carnal, um corpo com a presença de dons espirituais, mas sem o essencial do Cristianismo. A mensagem nesse capítulo é clara: o amor é superior aos dons.
Creio que, além do já descrito, o amor também nos conduz à missão. Somos todos certamente capazes de apregoar os fundamentos da missão e expor com clareza o conceito de sua integralidade. Mas, sem amar continuaremos passando ao largo perante o caído ao longo do caminho, que sofre, e virando o rosto aos que ainda não ouviram de Jesus. Seremos, assim, cristãos de gabinete, escrevendo sobre o que não experimentamos, ou cristãos pragmáticos, fazendo o que é certo pelos motivos errados, sem amor
Ronaldo Lidório